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Recreio da Juventude > Blog > Educação > O invisível por trás da corrida: maturação, paciência e constância
EducaçãoEsportes

O invisível por trás da corrida: maturação, paciência e constância

Mario Ernesto Chaves By Mario Ernesto Chaves
Publicada 10 de dezembro de 2025
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Tempo de leitura: 3 minutos

Ah, a corrida…

A corrida de rua é a modalidade/ prática esportiva de 13 milhões de brasileiros segundo estudo realizado pela marca Olimpikus (2024). E você? Ou faz parte dessa estatística ou está muito próximo de alguém que faz parte dela, mas como iniciar de forma saudável?

Sim, saudável… pois como tudo o que nos permeia atualmente a busca incessante pelo maior desafio acaba transformando algo saudável em perigoso. Costumo dizer aos meus alunos que confiem no processo. E qual o motivo atrás dessa frase? Que se respeite os tempos de maturação para aumentos de distância. O processo pode parecer lento, mas desse modo será feito de forma segura. A melhor maneira de melhorar o desempenho de um atleta amador – que além da prática esportiva tem uma vida profissional e familiar que permeia a atividade – é pela constância. Quanto maior for o tempo que mantiver o atleta ativo, sem quadro lesivo, maiores serão os ganhos.

Sim, a prática leva à perfeição. Estudos apontam que a taxa de incidência de lesões na corrida pode variar de 2,5 a 12,5 lesões a cada 1000 horas de atividade em média (dependendo do estudo e do perfil do corredor). E aqui apontam como lesão a impossibilidade de fazer o gesto técnico – no caso correr por um período maior que 2 sessões de treinamento consecutivas. Se abrirmos esses dados veremos que a incidência é maior em corredores iniciantes 17,8/ 1000 horas. Em corredores frequentes essa relação cai para 7,7. O que aponta para esse quadro de maior incidência nos novatos por assim dizer? Aumento de volume de treino semanal desproporcional à capacidade do indivíduo. E isso se dá muitas vezes pela falta de acompanhamento de um profissional de educação física ou pela ânsia do aluno em melhorar sua performance – ignorando o treino prescrito.

É papel do treinador frear essa ânsia que se manifesta de forma aguda no iniciante, mas que aparece também nos corredores experientes no retorno à prática após a lesão. Isso se dá pelo retrato anterior ao quadro lesivo, ou seja, a mente está com aquela percepção de esforço anterior, porém o corpo teve um período de repouso e não está apto a entregar o que entregava antes – a taxa de destreino se dá na proporção de 3:1 ou seja, uma lesão leve que te impeça de treinar por 1 semana fará teu organismo regredir a 3 semanas atrás, e quanto maior a parada maior a perda. Sempre que o equilíbrio entre capacidade e demanda for quebrado, o quadro lesivo aparece.

Mas e afinal por que a corrida é tão viciante? Devido à liberação de substâncias químicas no cérebro que geram sensações de prazer e bem-estar e por razões comportamentais como alívio do estresse e a criação de hábitos. E ali, na linha de chegada você verá isso de forma potencializada – pessoas que nunca se viram vibrando pela entrega do outro ou auxiliando no final da prova a manter o ritmo sonhado. Se você nunca participou de uma prova de corrida de rua, aconselho a ir e sentir a aura de uma competição dessas. Verás que tem aqueles que buscam performance, os que estão ali para socializar e até os que estão ali para desestressar. E está tudo certo, esse mundo congrega esses diferentes públicos e os aceita.

Sabe outro motivo que explica parte desse aumento da prática de corrida? Em nenhum outro esporte temos a oportunidade de passar pelo mesmo caminho do campeão. Se estiveres participando de uma prova onde ocorre a quebra de um recorde mundial, tu passaste no mesmo trajeto do recordista, sentiu o mesmo vento, as mesmas dificuldades que o trajeto impôs a ele e isso nenhum outro esporte entrega. É possível reproduzir as condições de um campo de futebol por exemplo, mas jamais vários amadores terão a experiência de jogar em um estádio de final de copa do mundo no mesmo dia da final.

Diante de tudo o que foi exposto até o momento e levando-se em conta as novas tecnologias por que procuraria a figura de um treinador para iniciar minha prática? Mesmo com o advento dessas tecnologias, o olho no olho, a conversa, a troca de experiências o convívio fazem parte desse aprendizado. Ainda somos seres sociais (que assim continuemos), a máquina, os algoritmos, a IA podem até ter um vasto banco de dados, mas carece de entendimento que nem todo dia é propício à prática. Terão noites mal dormidas, trajeto com subidas, dias estressantes, condições climáticas adversas e tudo isso deve entrar nessa equação para entregar o objetivo que o aluno busca. Sim, parte do trabalho de um bom treinador é ser um observador de tudo o que envolve aquele ser que confiou ao profissional a realização de seu sonho.

Aqui temos apenas uma leve amostra do quanto um bom treinador pode fazer para tornar viável teus desafios, seja correr uma prova de 5km ou uma prova de grande distância. Não é apenas terminar, é terminar em condições de chegar, pegar sua medalha e pensar: qual a próxima?

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Mario Ernesto Chaves 10 de dezembro de 2025
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